COMBINAÇÃO SIMPLES: Quando usar?
Matemática · Análise combinatória
Uma comissão será formada por três pessoas escolhidas entre oito candidatos. Se Ana, Bruno e Caio forem escolhidos, teremos a mesma comissão que teríamos escolhendo Caio, Ana e Bruno. A ordem em que os nomes são mencionados não muda quem faz parte do grupo. Quando o que importa é quem foi escolhido, e não a ordem da escolha, usamos a combinação simples.
A combinação costuma causar confusão porque se parece com o arranjo: nos dois casos, selecionamos alguns elementos de um conjunto. A diferença está no que consideramos um resultado diferente. Vamos construir essa ideia antes de decorar a fórmula.
O que é combinação simples?
Usamos combinação simples quando escolhemos uma parte dos elementos disponíveis, sem repetição, e a ordem dos escolhidos não altera o grupo formado.
Imagine que precisamos escolher duas pessoas entre Ana, Bruno e Caio. As duplas possíveis são:
Cada dupla aparece uma única vez
Ana–Bruno e Bruno–Ana seriam a mesma dupla. Por isso não contamos as duas separadamente.
Se a ordem fosse importante, poderíamos contar Ana–Bruno e Bruno–Ana como resultados diferentes. Mas, para formar uma comissão sem cargos específicos, isso seria contar o mesmo grupo duas vezes.
Por que a combinação tem uma fórmula diferente?
Vamos começar com um exemplo que já conhecemos. Suponha que oito pessoas disputem três cargos diferentes. Como cada cargo tem uma função própria, a ordem importa. O número de maneiras de preencher os cargos é:
Agora retire os cargos. Queremos apenas formar uma comissão com três das oito pessoas. O cálculo de 336 contou a mesma comissão de várias formas: para cada trio, existem 3! = 6 maneiras de ordenar seus integrantes. Por exemplo, Ana–Bruno–Caio, Ana–Caio–Bruno e as outras quatro ordens continuam sendo a mesma comissão.
Para deixar de contar cada grupo seis vezes, dividimos o número de arranjos por 3!:
Assim chegamos à fórmula geral da combinação simples:
O fatorial já apareceu no estudo de permutação. Lembre-se de que 5! = 5 × 4 × 3 × 2 × 1 = 120 e, por definição, 0! = 1. Na fórmula da combinação, o fator p! corrige as repetições causadas pelas diferentes ordens dos mesmos escolhidos.
Exemplo resolvido: uma comissão de quatro pessoas
Uma instituição tem dez servidores aptos a participar de uma comissão. De quantas maneiras diferentes é possível escolher quatro deles, sabendo que os integrantes não terão cargos diferentes dentro do grupo?
1. Quantos elementos estão disponíveis? São dez servidores, portanto n = 10.
2. Quantos serão escolhidos? Quatro, portanto p = 4.
3. A ordem importa? Não. Trocar a ordem dos nomes não cria uma nova comissão.
Como a ordem não importa e ninguém será escolhido mais de uma vez, aplicamos a combinação simples:
Podemos simplificar o fatorial de 10, cancelando o 6! do denominador:
Portanto, há 210 comissões diferentes. A conta pode parecer longa, mas a interpretação do enunciado é a parte mais importante: o grupo não tem cargos nem posições distintas, então a ordem não altera o resultado.
Combinação ou arranjo? Compare as duas situações
Uma boa maneira de testar sua escolha é manter as mesmas pessoas e mudar apenas o objetivo do problema.
| Situação | A ordem importa? | Tipo | Conta |
|---|---|---|---|
| Escolher 3 pessoas entre 8 para uma comissão sem cargos. | Não | Combinação | C8,3 = 56 |
| Escolher presidente, vice e secretário entre 8 pessoas. | Sim; cada cargo é diferente. | Arranjo | 8 × 7 × 6 = 336 |
| Organizar todas as 8 pessoas em uma fila. | Sim; todos ocupam posições. | Permutação | 8! = 40.320 |
Repare que não basta encontrar palavras como “escolher”, “selecionar” ou “formar”. Em uma questão, “escolher três pessoas” pode significar combinação, mas, se elas ocuparão três cargos distintos, será arranjo. Leia o objetivo da escolha.
Propriedades úteis da combinação
Há uma propriedade que pode simplificar algumas contas: escolher p elementos entre n equivale a deixar de fora os outros n − p elementos. Por isso:
Por exemplo, C10,3 = C10,7. As duas expressões representam o mesmo número de grupos. Essa propriedade também serve para conferir um resultado, embora nem sempre seja o caminho mais curto para calculá-lo.
Questões para praticar
Tente identificar primeiro se a ordem importa. Só depois faça a conta.
1. Um grupo de trabalho terá 3 integrantes escolhidos entre 9 servidores, sem funções diferentes. Quantos grupos podem ser formados?
Resolução: a ordem não importa, então usamos combinação: C9,3 = (9 × 8 × 7)/(3 × 2 × 1) = 504/6 = 84 grupos.
2. Uma turma tem 12 alunos e precisa escolher dois representantes, sem distinguir cargos entre eles. Quantas duplas são possíveis?
Resolução: escolher Ana e Bruno é a mesma dupla que escolher Bruno e Ana. Logo, C12,2 = (12 × 11)/(2 × 1) = 66 duplas.
3. Sete candidatos disputam os cargos de presidente e vice. Quantas formações são possíveis?
Resolução: aqui os cargos são diferentes, portanto a ordem importa. Não é combinação: são 7 opções para presidente e 6 para vice, totalizando 7 × 6 = 42 formações.
4. De quantas formas podem ser escolhidos 5 livros entre 8, se basta selecionar os livros e não há ordem de leitura definida?
Resolução: a ordem dos livros escolhidos não cria um novo grupo. Então C8,5 = C8,3 = (8 × 7 × 6)/(3 × 2 × 1) = 56 grupos de livros.
O que lembrar para a prova
A combinação simples aparece quando você escolhe alguns elementos, não os repete e considera que a ordem não muda o grupo formado. A fórmula é Cn,p = n!/[p!(n − p)!]. Se a mudança de posição transformar o resultado — como acontece ao distribuir cargos diferentes ou definir primeiro e segundo lugar — a combinação não é adequada. Antes de fazer a conta, pergunte: “Se eu trocar a ordem dos escolhidos, terei realmente um resultado novo?”
Este conteúdo faz parte da série de Matemática para Concursos da Seleção Acadêmica.

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